Rodrigo Santiago

À beira do colapso

Publicado em A vida, o universo e tudo mais por Rodrigo Santiago em 02/03/2009

Não, não estou à beira de um colapso nervoso. Procurando dar mais atenção à minha vida offline (não que a minha vida online fosse lá tão agitada), decidi, no final de 2008, dar menos ênfase às coisas onlines. Não que a Internet seja inútil. Ao contrário, hoje em dia não viveria normalmente sem ela, pois uso (no sentido de utilidade) muitos serviços através dela, pagar contas, recarregar o celular, transferir dinheiro etc. O chato é que perdia muito tempo com coisas triviais, desperdiçando horas em que poderia me dedicar a outros assuntos.

A primeira de minhas deliberações foi voltar com o blog para um serviço gratuito, não gastando dinheiro com algo que não me traz retorno financeiro e tampouco traz alguma grande vantagem em relação ao serviço gratuito. Não gastava uma fortuna, mas já dá pra um jantar legal por mês, ou uma sessão de cinema a mais. Ou um trocado a mais na poupança. A outra é não gastar tanto tempo navegando. Não tornar coisas que podem ficar em segundo plano para o primeiro plano.

Internet é útil? Sim! Eu gosto? Siiiiiiiiiiim. Mas também gosto de um monte de outras coisas, então, nada como balancear o tempo. Apesar disso, estou começando alguns projetos neste ano, projetos de longo prazo, em que a organização do tempo será de suma importância. Portanto, nada de “gastar” o tempo que seria dedicado a uma tarefa em outra.

Nada melhor do que tomar essas deliberações no início do ano  (aqui no Brasil o ano só começa depois do carnaval, não é mesmo?).

Amplexos.

O aborto e a anencefalia do feto

Publicado em Atualidades, Bem-estar por Rodrigo Santiago em 19/09/2008

Acompanhando o debate na Suprema Cor… desculpem, país errado, no Supremo Tribunal Federal sobre o aborto em caso de anencefalia do feto (DO FETO!), ouvindo os vários “especialistas” (depois de religiosos sendo chamados de especialistas e de parlamentares tendo rezado o Pai-nosso no Congresso, realmente não me convenço de que vivemos num país laico), pensei o seguinte:

Até onde eu sei, os religiosos, independente de religião, condenam qualquer tipo de aborto, inclusive em gravidez decorrente de estupro, permitido pela legislação. Portanto, apesar de não concordar com sua visão, há coerência deles no debate, já que são contra a regulamentação do aborto em caso de anencefalia do feto. Porém, a legislação (o Código Penal) permite o aborto em dois casos: a) no já citado caso de estupro; b) se necessário para preservação da vida da gestante:

Art. 128 – Não se pune o aborto praticado por médico:

I – se não há outro meio de salvar a vida da gestante;

II – se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

O que me intriga nisso tudo é que, em caso de estupro, as condições do feto não são levadas em questão, mas, sim, a vontade da gestante. Logo, a meu entender, no inciso II é levado em conta a “saúde mental”, digamos, da gestante, de não ser obrigada a conviver com algo que surgiu de tanta dor e bla bla bla.

Já no caso de anencefalia do feto, de acordo com a maioria dos médicos, a criança não passa muito tempo viva, ou seja, é certeza de morte. Logo, acho que deveria ser natural que em uma legislação que permite o aborto de um feto saudável, desde que o meio tenha sido o estupro, permitisse o aborto de um feto que não conseguirá sobreviver ao nascimento, ou ao menos não durante muitos anos de vida, para preservar a integridade mental da mulher.

Não imagino como deva ser a dor de uma mulher carregar no ventre por nove meses um feto que já sabe que vai morrer. Eu logo penso em situações corriqueiras, as pessoas perguntando quando nasce, se já tem nome, se é menino ou menina, e como tudo isso fica na cabeça da mulher.

E, caso seja regulamentado, vai ser um opcional, e não uma regra. Se houver alguma mulher que não queira fazer o aborto, que mesmo sabendo que seu feto tem anencefalia quer levar a gravidez adiante, ela nada precisará fazer. A regulamenteção virá para dar uma opção à mulher, e não para criar uma regra.

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O interesse pelo passado e pela história ainda é válido nos dias de hoje?

Publicado em História por Rodrigo Santiago em 20/08/2008

Resposta rápida e sem explicação: Sim.

Resposta curta: Sim, pois nunca chegaremos à “verdade absoluta” dos acontecimentos históricos, pois a exatidão dos fatos não é possível. O conhecimento nunca chegará a um ponto satisfatório em que não será necessária a continuação da pesquisa, pois novos fatos sempre serão descobertos.

Resposta um pouco menos curta: Sim, pois o interesse pelo passado significa o interesse pela nossa origem, como seres humanos. E tão importante quanto descobrir como se deu a origem do universo, é desvendar como a evolução humana aconteceu e como se encaminhou até chegarmos no presente. O historiador não é mero relator dos fatos passados, cabe a ele interpretar as fontes, utilizando metodologias amplamente aceitas pela comunidade científica, para construir uma parte do muro que seria aquele acontecimento. Cada pesquisador contribui com parte do conhecimento, e a partir da análise de cada pedacinho temos um olhar mais amplo sobre determinado acontecimento. Por exemplo, um estudo recente sobre a revolução francesa não necessariamente descarta um estudo anterior, ambos poderiam complementar-se para formar uma visão mais completa sobre o fato.

Portanto, não só é válido o interesse pelo passado nos dias de hoje como é necessário.

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Michael Phelps usa doping!

Publicado em Esporte por Rodrigo Santiago em 17/08/2008

É o que sugere Alexei Koudinov, do Doping Journal. De acordo com uma reportagem do Terra,

Ouvir música aumenta a capacidade de oxigênio no sangue e melhora a performance do atleta, segundo o Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências do Cérebro, em Leipizig, na Alemanha. E isso é ilegal, atestam alguns especialistas.

Michael Phelps ficando doidão

Michael Phelps ficando doidão (gettyimages.com)

Na minha opinião de total desconhecedor das normas anti-doping, será que estas mudanças causadas por algo externo — e não uma substância consumida pelo atleta — que não causa problemas de saúde, é suficiente para caracterizar o doping?

Porém, pelo que tenho conferido, quando um atleta acostumado a competir em altitudes extremas — onde a concentração de oxigênio no ar é mais baixa — compete em uma altitude mais baixa — onde a concentração é maior — a oxigenação dele aumenta, e ele tem um maior rendimento. Alguém lembra do pique do Guerrón no segundo tempo da prorrogação na final da Libertadores?

E aí, como é que fica?

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Olimpíadas, bronze e outros causos

Publicado em Esporte por Rodrigo Santiago em 14/08/2008

Lendo algumas coisas sobre o desempenho dos atletas brasileiros em Pequim, não posso deixar de comentar a comoção nacional que está sendo feita sobre o fato dos atletas não possuírem mais medalhas e pela festa que fazem com o bronze.

O post que mais me chamou a atenção foi o do Cardoso, que escreveu sobre o fato do Brasil estar atrás do ranking de países como o Zimbábue e outros menos desenvolvidos que nós, e que o esporte olímpico brasileiro não evolui. Concordando em partes com o post, não concordo com a generalização, acho leviano colocar todos os esportes olímpicos no mesmo saco.

A ginástica feminina, por exemplo, evoluiu e continua evoluindo; a passos lentos, é verdade. Mas, parafraseando nosso querido presidente, nunca na história das olímpiadas o Brasil conseguiu colocar uma equipa na final. Ficou em oitavo, mas, para um país que nem isso conseguia, é ótimo. Já no basquete feminino, por exemplo, na minha opinião, está fazendo um papelão. Assisti a um jogo e foi simplesmente bisonho. Saudades da Hortência e Paula.

Sobre o número dos atletas, 277 atletas não significam 277 chances de medalhas no ranking, já que nestes 277 estão incluídos os de esportes coletivos, futebol, vôlei, vôlei de areia, basquete, etc. Ainda há o masculino e feminino em cada modalidade. Apesar de não serem números oficiais, a delegação americana conta com 646 atletas, quase três vezes a mais do que o Brasil. A China, com 579. O Zimbábue, com… 13 atletas. Levando isso em consideração, e o número absoluto de medalhas de cada país, o Zimbábue obteve 23% de aproveitamento (contando cada medalha de cada atleta em esportes coletivos como uma, mas como ainda não saíram medalhas coletivas, o número de medalhas é o mesmo do ranking). Os Estados Unidos contam com um aproveitamento de… de… 5,26%. Ou seja, considerar o número de medalhas como superioridade de um país a outro não deixa de ser uma comparação de muletas. Se é necessário fazer comparações, que se faça com o Brasil em outras olimpíadas. Aí sim concordo que o Brasil “devoluiu” em números absolutos. Mas vamos esperar o final desta competição para fazer a contabilidade final.

Outra questão pertinente é a do favoritismo. Um atleta que não esperava medalhas levar uma de bronze é mérito, outro que era favorito ao ouro levar de bronze, soa como prêmio de consolação. Cito a Kethlyn e o Tiago Camilo, que numa entrevista não me pareceu muito contente com a medalha. No Bronze Brasil 2008 li sobre o atleta sueco que jogou fora sua medalha, bom, ele tem o direito de ficar frustrado pela “conquista” da medalha, mas vale lembrar que o fato de ter perdido o ouro ou prata foi puramente “mérito” seu. Se achava-se superior aos outros, bom, não era. Ou não foi na luta, que é o que importa. No futebol, tanto masculino quanto feminino, não podemos nos contentar com menos do que o ouro. No vôlei masculino também, embora, se jogarem como jogaram contra a Rússia, não vai ser fácil. Ou seja, a conquista da medalha é relativo ao atleta. Há momentos em que é a glória, em outros é apenas o primeiro dos últimos.

Sobre o esporte brasileiro no geral, vejo três grandes problemas:

  1. Não é nem a questão de medalhas, mas, sim, que os esportes menos tradicionais são estimulados em “épocas olímpicas”, mas nos anos depois são deixados de lado;
  2. A falta de grandes centros de treinamento, fazendo com que os destaques se formem mais a partir de talentos individuais do que propriamente de treinamento. Portanto o meu medo é que, nos vários esportes, quando a geração atual estiver aposentada, não existam mais representantes no mesmo nível, que nos leva ao próximo problema;
  3. A falta de renovação. Já deve ser a milésima olimpíada que o Hugo Hoyama participa. Não que ele seja ruim, mas não há espaço para uma nova geração? Ou não existe?

Portanto, não venho aqui colocar panos quentes no esporte brasileiro, dizer que está lindo e maravilhoso. Precisa melhorar muito. Escrevendo esse post me lembrei do auê das declarações feitas pelo Popó, há alguns anos:

Estou cansado de lutar pela pátria e não ter reconhecimento. Estou há um ano sem patrocínio e agora lutarei profissionalmente, buscando o melhor para mim e minha família.

E o que predominou foi o pensamento de “traidor”. Pois o atleta brasileiro tem que representar a sua pátria, custe o que custar.

Portanto, parabéns, sim, aos atletas por suas conquistas individuais. Parabéns aos que, mesmo com a precária estrutura, tentaram, mesmo não conseguindo. Não é “cultura de coitadinho” é noção da realidade, saber que de Fusca fica difícil ganhar de um Opala.

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O cigarro e os eventos

Publicado em Bem-estar, História por Rodrigo Santiago em 08/08/2008

Quando escrevi sobre a relação das propagandas em televisão dos cigarros e seu público alvo, tinha pensado também sobre o marketing da indústria tabagista em eventos e competições esportivas, mas ficaria muita coisa para um post só, e resolvi deixar para depois.

Bom, seguindo a lógica dos comerciais de televisão, quando o marketing era feito patrocinando algum evento, o evento era voltado ao mesmo público-alvo, lógico. É o caso do Hollywood Rock, do Free Jazz Festival e do Carlton Dance Festival, voltados, respectivamente, para o jovem ativo, o jovem independente e o adulto refinado.

Se no meio cultural o cigarro era bastante presente, e cada marca voltada ao seu público alvo, no esporte não era diferente. Cada marca privilegiava o esporte que melhor atendia ao seu apelo. Citando novamente o Hollywood, ele era freqüentemente patrocinador de esportes radicais, os mesmos veiculados em seus comerciais. O cigarro Marlboro foi patrocinador por muito tempo no automobilismo, esporte associado à virilidade.

E, mais uma vez, o marketing visava criar um imaginário alheio ao produto, associando cada marca com o evento ou com o produto do evento. Quem não lembra da McLaren vermelha e branca de Ayrton Senna? Ou do carrinho amarelo da Camel?

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“On the road” e a juventude americana no pós-guerra

Publicado em História, Literatura por Rodrigo Santiago em 04/08/2008

road
Get your motor runnin’, head out on the highway…

Apesar de não ter sido o primeiro livro publicado de Jack Kerouac, On the road (“Pé na estrada” aqui no Brasil) foi o que deslanchou sua carreira e levou a Geração Beat ao “estrelato”. Mas por que este livro se tornou um marco para a juventude da época? Vejamos.

Quem foi Jack Kerouac?

Nasceu com o nome Jean-Louis Lebris de Kerouac em 12 de março de 1922, descendente de imigrantes canadenses que foram tentar a sorte nos Estados Unidos, na cidade de Lowell, Massassuchets. Morreu jovem aos 47 anos de idade, em 1969, devido aos problemas ocasionados pelo consumo excesivo de álcool. Alguns dizem que foi devido ao hábito de beber vinhos ruins.

Teve seu primeiro livro publicado em 1951, chamado The Town and the City, obtendo algumas resenhas a seu favor, mas vendendo pouco. Em 1951 escreveu o futuramente aclamado On the road, sobre suas viagens no final da década de 1940 cruzando os Estados Unidos com seu amigo Neal Cassady e encontrando e reencontrando amigos, a maioria autores da posteriormente chamada Geração Beat.

Foi Kerouac, inclusive, quem cunhou o termo Geração Beat. Foi considerado como o porta-voz desta geração, a seu contra-gosto.

Por que escreveu On the road?

Para entendermos por que ele escreveu este livro devemos prestar atenção ao que acontecia na sociedade americana. Os famosos american dream, o sonho americano, e o american way of life tornam-se mais evidentes após a segunda-guerra mundial. O american dream é a crença na liberdade de que cada americano pode vencer na vida com trabalho duro, e o american way é marcado fortemente pelo consumismo e o individualismo.

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Você sabe a diferença entre xiitas e sunitas?

Publicado em História por Rodrigo Santiago em 29/07/2008

Devido aos freqüentes conflitos ocorridos no Oriente Médio a partir da segunda metade do século XX e início do XXI (principalmente a partir da década de 1970), e agora com a ocupação do Iraque, a religião islâmica, o islamismo, ganhou grande destaque da mídia. Dentre os vários elementos dos quais temos conhecimento dentro do islamismo são os termos xiita e sunita. Mas o que eles representam? Primeiramente temos que ter em mente que, tal qual o cristianismo, o islamismo não é uma coisa só. Os xiitas e os sunitas são os principais ramos dentro da religião atualmente.

Além deles há, entre outros ramos que não cabe citar aqui, os sufis, que são os chamados místicos islâmicos, e que não são necessariamente um ramo à parte dos xiitas ou sunitas, podendo um Sufi ser ou sunita ou xiita. A peculiaridade do Sufi é que ele procura a unidade por trás das coisas materiais, por trás da religião, possui um caráter mais espiritual, diga-se de passagem, aproximando-se em alguns aspectos das crenças do extremo oriente (hinduísmo, budismo, etc.). Acreditam em um estado de união com Alá [fonte]. Uma característica marcante dos Sufis é que praticam o ascetismo — grosso modo, a privação dos prazeres da carne – para alcançar a verdade por trás das coisas.

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Um último beijo antes do último beijo

Publicado em Cinema por Rodrigo Santiago em 26/07/2008

Quando assisti ao trailer de “Um beijo a mais” (The Last Kiss), filme estrelado pelo “Scrubs” (Zach Braff), pelo irmão do Ben Affleck (Casey Affleck), Tom Wilkinson, entre outros, fiquei com a impressão de que já o tinha visto há alguns anos. Mas o filme é relativamente novo (2006 e chegando só agora no Brasil), foi então que nos créditos do trailer vi que era baseado em um filme italiano, chamado aqui “O último beijo” (L’Ultimo Bacio), de 2001.

Assisti recentemente ao filme com o “Scrubs” e, apesar de ser um bom filme, as comparações são inevitáveis. O filme original é muito mais intenso, as atuações melhores, e o idioma italiano é um dos dois melhores idiomas para expressar discursos inflamados (o outro é o espanhol), deixando as cenas de discussão bem mais interessantes.

Não me lembro com detalhes do filme original, assisti-o em 2004 ou 2005, mas pelo que me lembro o roteiro é praticamente ipsis litteris. Na ocasião fiquei maravilhado pelo filme, uma dessas belas surpresas que a programação da madrugada pode nos proporcionar.

O filme “Um beijo a mais” está na programação do Telecine, e o “O último beijo” creio que deve haver em DVD, pois não está mais na programação dos canais HBO. O diretor do filme original, Gabriele Muccino (por que diabos os italianos cismam em colocar nomes de mulheres nos homens?) participa como produtor executivo do filme americano.

Clique em “mais” para assistir a duas cenas, uma do filme italiano e outra do americano. No youtube tem mais um monte. Depois de assistir à cena do filme italiano, assista a essa pagação de mico, hehehe.

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Considerações sobre o estudo da pré-história

Publicado em História por Rodrigo Santiago em 25/07/2008

O estudo da pré-história é uma das áreas mais difíceis da História, pois o estudo das provas materiais é pouco para a análise do modo de vida daquelas populações. Como os povos pré-históricos careciam de uma escrita lógica, grande parte do estudo da pré-história se debruça sobre as pinturas rupestres, os artefatos, estudo dos fósseis encontrados e estudo do comportamento humano coletivo.

A Antropologia é uma ciência que se aproxima muito da História quando se estuda o homem pré-histórico, pois grande parte do conhecimento sobre este homem se deve ao estudo sobre populações modernas que vivem isolados de nós, seres humanos urbanizados. Um grande passo para isso foi a constatação de que, como a estrutura cerebral humana é a mesma, e observando-se várias tribos em vários locais do mundo, sabe-se que o homem agirá de forma semelhante quando em face de situações parecidas. Foram encontradas pinturas rupestres na África do Sul feitas há cerca de 200 anos muito semelhantes a pinturas encontradas em cavernas na França feitas há milênios.

O fato é que o homem, desde o seu surgimento, sempre buscou aperfeiçoamento na técnica e na construção de ferramentas que o fizessem não depender apenas de suas habilidades físicas. Para termos uma pequena noção, antes mesmo da escrita ter sido desenvolvida o homem já vivia de forma sedentária, já domesticava animais e fazia uso da agricultura e utiliza ferramentas feitas de metal.

Um livro que recomendo é “A evolução cultural do homem”, do arqueólogo australiano Vere Gordon Childe. O título em inglês é mais bacana, Man makes himself, ou “O homem faz a si mesmo”. Uma referência de que o desenvolvimento humano não ocorre por acaso, pois é fruto do próprio homem.

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