Rodrigo Santiago

À beira do colapso

Publicado em A vida, o universo e tudo mais por Rodrigo Santiago em 02/03/2009

Não, não estou à beira de um colapso nervoso. Procurando dar mais atenção à minha vida offline (não que a minha vida online fosse lá tão agitada), decidi, no final de 2008, dar menos ênfase às coisas onlines. Não que a Internet seja inútil. Ao contrário, hoje em dia não viveria normalmente sem ela, pois uso (no sentido de utilidade) muitos serviços através dela, pagar contas, recarregar o celular, transferir dinheiro etc. O chato é que perdia muito tempo com coisas triviais, desperdiçando horas em que poderia me dedicar a outros assuntos.

A primeira de minhas deliberações foi voltar com o blog para um serviço gratuito, não gastando dinheiro com algo que não me traz retorno financeiro e tampouco traz alguma grande vantagem em relação ao serviço gratuito. Não gastava uma fortuna, mas já dá pra um jantar legal por mês, ou uma sessão de cinema a mais. Ou um trocado a mais na poupança. A outra é não gastar tanto tempo navegando. Não tornar coisas que podem ficar em segundo plano para o primeiro plano.

Internet é útil? Sim! Eu gosto? Siiiiiiiiiiim. Mas também gosto de um monte de outras coisas, então, nada como balancear o tempo. Apesar disso, estou começando alguns projetos neste ano, projetos de longo prazo, em que a organização do tempo será de suma importância. Portanto, nada de “gastar” o tempo que seria dedicado a uma tarefa em outra.

Nada melhor do que tomar essas deliberações no início do ano  (aqui no Brasil o ano só começa depois do carnaval, não é mesmo?).

Amplexos.

Da superstição

Publicado em A vida, o universo e tudo mais por Rodrigo Santiago em 30/06/2008

Superstição: do latim superstitione.

  1. sentimento religioso errôneo que induz a criar falsas obrigações e que leva à prática de deveres absurdos ou imaginários;
  2. excessiva credulidade;
  3. crendice;
  4. preconceito. [Fonte]

[Quase] Todo mundo tem um ritual secreto, miraculoso, que faz as coisas darem certo, não é verdade? A cueca, calça ou blusa que dava sorte com as meninas, aquela caneta que fazia tirar notas altas em todas as provas na escola, uma música ouvida antes de um momento decisivo cujo resultado foi favorável, assistir a um jogo inteiro em final de campeonato de pé, o jogador que pisa com o pé direito ao entrar no gramado; enfim, cada um com seu. Eu tinha alguns quando assistia aos jogos do Flamengo — principalmente jogos de final — e hoje, assistindo ao jogo contra o Sport, que estava empatado, me dei conta que os estava repetindo. O Flamengo fez um gol. 2 x 1. E tenho uma caneta que me acompanha nos concursos públicos!

dolar-na-cueca

“Não te disse pra usar a cueca da sorte?”

O engraçado é que é preciso apenas um resultado favorável, de preferência quando o ritual é criado, para que vire ritual da sorte. E não importa quantas vezes ele é praticado sem dar o resultado almejado, sempre inventamos uma desculpa. Não foi realizado em sua plenitude, a posição não estava correta, a cueca calça blusa roupa não foi lavada adequadamente, o pé esquerdo estava muito perto do gramado antes do direito, ou a caneta sabe qual cargo público é bom para você mim e qual não é, etc. E assim inventamos nossas desculpas para achar que há, de fato, uma certa sobrenaturalidade em nossos rituais.

Talvez essa crença nos dê um certo conforto diante dos eventos nos quais o resultado não compita a nós, tirando um pouco da ansiedade que nos afeta nestes momentos. Eu me considero uma pessoa racional, procuro explicações plausíveis para as coisas que acontecem e que, aparentemente, não têm explicação. E sei que um ritual destes, que apele para a sorte, não vai mudar o curso do destino. Mas… não custa tentar…

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16 por 10

Publicado em A vida, o universo e tudo mais, Bem-estar por Rodrigo Santiago em 21/06/2008

Dia desses medi minha pressão sanguínea arterial e levei um susto: 16 por 10 (ou 160-e-uns-quebrados/90 mmHg).

Noutro, numa lanchonete fast-food de sanduíches, comendo um sanduíche com hambúrguer de picanha, pego a caixinha dele e leio as informações nutricionais até chegar em:

  • Sódio – 2.713mg113% das necessidades diárias de uma dieta de 2.000KCal.

Sem contar a batatinha.

Foi então que me lembrei de Super Size Me.

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O gosto pelo sensacionalismo

Publicado em A vida, o universo e tudo mais, Atualidades por Rodrigo Santiago em 29/04/2008

Assistindo nos telejornais a repercussão do caso Isabella Nardoni, tenho visto o despudor da população na ávida busca por informações. Muitas pessoas protagonizam cenas patéticas, como o caso do senhor que levou sua família para um “belo” programa de domingo: assistir à reconstituição do crime.

Filmes como “Faces da morte”, vídeos de assassinatos, suicídios e acidentes multiplicando-se pela internet, curiosos em volta de um acidente automobilístico — quanto mais grave o acidente, maior é o número de curiosos — são exemplos de como esse desejo é presente na sociedade contemporânea. Mas este sentimento não é novo para a humanidade.

As execuções públicas tinham a função de “educar” a população a não cometer crimes e eram assistidas por praticamente toda comunidade. E ninguém era obrigado a isso.

Sem falar quando a morte era motivo de entretenimento:

Coliseu

Minha pergunta: é natural do ser humano o anseio por imagens tão impactantes? E por que isto sempre esteve tão inerente ao ser humano no decorrer destes milênios? Segundo as teorias psicanalíticas, não temos controle sobre esse desejo. A psicanálise pode até explicar como acontece o processo do interesse por estes assuntos, mas não explica a origem. Se Freud tinha razão, eu não sei, mas é curioso observar a batalha entre o superego e o id — o consciente-repressor e o inconsciente — no que tange os assuntos sensacionalistas. Acredito que muitos já presenciaram cenas de pessoas horrorizadas com a cena de algum acidente, mas mesmo assim não deixavam de assistí-lo inúmeras vezes.

Mas por que diabos esse desejo habita o inconsciente?

Observação do mundo

Publicado em A vida, o universo e tudo mais por Rodrigo Santiago em 31/07/2007

Cheguei ontem de São Paulo, depois de ter passado um dia de Tom Hanks no aeroporto de Guarulhos na terça-feira, dia 24, devido à crise aérea. Ao menos para mim esta crise teve um lado positivo: ficar mais alguns dias ao lado de minha namorada, prolongando uma viagem que seria de seis dias.

Ontem, na ida ao aeroporto, fiz algo que costumo fazer quando estou em um lugar novo, ou mesmo quando vou a lugares que gosto, mas que não vou com tanta freqüência: olho para as construções, para os carros, para a rotina da cidade, na tentativa de capturar tudo aquilo em minha mente. Até certo ponto eu sou uma pessoa observadora, gosto de observar cotidianos, observar as pessoas na rua, suas reações, e me questiono para onde vão, de onde vêm, o que se passa na vida de cada uma delas. O engraçado é que isso acontece principalmente quando estou em um lugar novo. Por exemplo: há uns anos me mudei para um apartamento, em um andar alto, perto da rodovia BR-101, e uma das coisas que mais gostava de fazer era, durante a madrugada, me escorar na sacada, ouvir o som da cidade silenciosa e dos carros e caminhões na rodovia, observando-os e imaginando seus motoristas, seus destinos e suas procedências. Mas com o tempo deixei de fazer isso, à medida que a visão se tornou banal para mim.

Será correto isso? Deixar que as coisas se tornem banais? Não deveríamos tentar olhar tudo como se fosse algo novo? Experimentar todas as sensações como se fosse a primeira vez que as tivéssemos sentido? Eu acho que deveríamos, pois de outra maneira acabaremos por banalizar a nossa própria existência! Escrevendo isto lembrei de algo que li no livro “O mundo de sofia”. Muita gente já o leu, poucas o entenderam. A linha geral do livro é de uma menina, Sofia, que recebe cartas de um estranho. Nestas cartas o estranho escreve sobre filosofia. Abaixo cito um trecho de uma destas cartas. É um trecho enorme, mas não consegui cortar nada. Todos os negritos fui eu que destaquei. Copiei de um e-book na internet, pois não tenho o livro em mãos:

Cá estamos de novo. Com certeza já percebeste que este pequeno curso de filosofia vem em doses pequenas. Eis mais algumas observações introdutórias. Estás a seguir-me, Sofia? Receberás a continuação. (mais…)

“I just sit here and watch the wheels…”

Publicado em A vida, o universo e tudo mais, Música por Rodrigo Santiago em 15/05/2007

I just love to watch them roll.

Este vídeo do John Lennon é de uma de minhas músicas preferidas dele. A primeira vez que a ouvi foi quando adquiri o álbum Double fantasy em vinil num sebo. Sempre me identifiquei um pouco com ela. Cada pessoa deve viver a seu modo, mas todo mundo se preocupa demais em se meter na vida dos outros e querer vivê-la pelos outros. E essa música fala um pouco sobre isso.

Crítica e críticos

Publicado em A vida, o universo e tudo mais por Rodrigo Santiago em 15/04/2007

Ou: Por que não gosto de “crítica” de arte.

Já li e ouvi dizer que a crítica é algo importante para o avanço da arte. Eu, sinceramente, não vejo tanta importância assim na crítica. Minha implicância com crítica de arte é apenas uma: a arte é subjetiva, sendo assim, qualquer julgamento que se faça em relação a ela, é feita em cima dessa subjetividade. Na minha concepção de arte, ela exprime os sentimentos do artista ao criar a obra. “Arte” que não exprime sentimento para mim não é arte. É um amontoado de coisas. (Sons, negativos, tintas, letras, etc.)

“Veja bem, meu bem”, sendo a arte algo subjetivo, que envolve sentimento, cada pessoa têm uma percepção particular dela, baseando-se de acordo com o esquema de símbolos que fazem parte de sua vivência. O artista coloca suas entranhas na obra, e cada indivíduo perceberá o conteúdo de sua maneira, já que o indivíduo nunca conseguirá absorver a obra da maneira que o artista a criou, pois ambos não partilham dos mesmo conjuntos de símbolos. E sendo dessa maneira, como é que um crítico vai dizer se a obra é boa ou não é? Se ela deve ser lembrada ou esquecida? Que o artista deveria ter feito outra escolha em dado momento? O máximo que um crítico pode fazer é dar a sua fucking opinião. E pára por aí. Claro que existem aquelas pessoas que precisam que os outros lhe digam do que elas gostam ou não, mas isso é um caso à parte. No final das contas, o que o crítico faz é criar um material subjetivo (a crítica) em cima de outro material subjetivo (a obra de arte).

Mas o que acaba acontecendo muito, mas muito mesmo, insuportavelmente demais, é a maioria dos críticos julgarem uma obra subjetiva com olhos objetivos, querendo que o resultado de seu trabalho (a crítica) seja vista como algo objetivo, quando, na verdade, como já vimos no parágrafo anterior, nada mais é do que um amontoado de opiniões, logo, subjetiva. Eu gosto de ler as opiniões alheias sobre alguma obra de arte, mas meu sangue ferve quando aparece algum zé mané querendo ser o dono da verdade, como se fosse o escolhido para separar o joio do trigo na arte e cultura. Give me a break.